
João Moita, formador da Clínica das Conchas, falou-nos do que podemos esperar da II Edição do Curso "Coluna Vertebral: Avaliação e Intervenção para a Saúde e Alta Performance" e dos seus projetos futuros.
FORMAÇÃO CLÍNICA DAS CONCHAS - Este ano leccionará um conjunto de formações e um Curso pela Clínica das Conchas, o “Curso de Coluna Vertebral: Avaliação e Intervenção para Saúde e Alta Performance”. Depois do sucesso da I Edição do Curso o que podemos esperar da II Edição que se realizará em Janeiro de 2017?
JM - Penso que o principal propósito de qualquer formação deve ser sempre tentar superar as expectativas.Nesta II Edição vamos continuar a dar um grande enfoque prático às questões relacionadas com a avaliação de postura e realização de testes funcionais para a coluna vertebral. Estes itens são primordiais uma vez que é muito difícil conseguir intervenções de sucesso sem boas avaliações. Existe ainda nesta edição a adição de um elemento novo na componente prática que passa pela discussão de casos clínicos reais.
FORMAÇÃO CLÍNICA DAS CONCHAS - Considerando que a dor lombar é tão comum na actualidade que medidas preventivas sugere para diminuirmos o número de ocorrências?
JM - A dor lombar de origem inespecífica (sem estar associada a um quadro patológico) é uma das maiores causas de incapacidade temporária para o trabalho em Portugal e no mundo, sobretudo nos países com economias de 1ª linha onde impera o sedentarismo. Um dos grandes fatores contributivos é o tempo de permanência sentado. Estudos recentes demonstram que a população no geral, incluindo grande parte da população pediátrica, passa mais tempo sentada do que a dormir. Além de extremamente preocupante do ponto de vista fisiológico, em termos posturais existem alterações biomecânicas e neuromusculares com efeitos devastadores no médio/longo prazo para a saúde da coluna vertebral e para a saúde músculo-esquelética no geral. Uma das principais medidas preventivas, para além do aumento dos níveis de atividade física, passa claramente por uma reeducação motora dos nossos hábitos de movimento e de postura. Atravessamos tempos de “analfabetismo” motor, onde começamos desde cedo a perder as nossas habilidades motoras fundamentais como correr, saltar, agachar. O principal fator causal é: falta de prática! O corpo humano está desenhado para o movimento e precisa desse movimento. Quando deixamos de o fazer, perdemos progressivamente capacidades e o sistema acaba por ceder.
FORMAÇÃO CLÍNICA DAS CONCHAS - Para além de óptimo formador divide o seu tempo enquanto Osteopata com prática privada e investigador. Que projectos de investigação tem em curso para este ano?
JM - Este ano será essencialmente marcado pela conclusão de alguns projetos relacionados com o meu Doutoramento, que incidem na relação entre os tipos e expressões da força muscular com as lesões em bailarinos/as pré-profissionais.Está também em curso um trabalho longitudinal centrado nas lesões por overuse do membro inferior.
FORMAÇÃO CLÍNICA DAS CONCHAS - E na sua prática clínica enquanto Osteopata? Dedica a alguma população em concreto ou a alguma área de intervenção mais específica?
JM - Para além da minha prática clínica privada cuja população é bastante diversificada e enriquecedora em termos de experiência, grande parte do meu tempo é dedicado à dança mais concretamente aos bailarinos/as pré-profissionais, uma vez que estou na Escola de Dança do Conservatório Nacional desde 2004/2005. Trabalhar com esta população é fascinante e é um processo de aprendizagem contínua todos os dias. Permite-me aplicar e testar questões práticas de investigação e perceber que em muitos casos há uma grande transferência para a população em geral no que diz respeito ao raciocínio clínico quando se constrói um diagnóstico.