Médico de Medicina Geral e Familiar e Atleta de Alta Competição de Judo, Dr. Diogo Lima, tem dado o seu contributo à Medicina do Exercício. Saiba nesta entrevista como consegue conciliar a sua carreira profissional com a carreira desportiva e a sua opinião acerca da crescente aproximação entre a classe profissional dos Médicos e dos Profissionais de Exercício e Saúde.

 

FORMAÇÃO CLÍNICA DAS CONCHAS - Atualmente é Médico de Medicina Geral e Familiar e Atleta de Alta de Competição de Judo. Como consegue conciliar a sua carreira Profissional e Desportiva?

DL - Sou Médico de Medicina Geral e Familiar (MGF) no Agrupamento dos Centros de Saúde Loures-Odivelas (ACES LO), na Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) do Olaio e atleta de Alto Rendimento desde de 2000, tendo realizado a minha formação académica na Faculdade de Medicina de Lisboa (FML). Tenho conseguido conciliar a duas atividades (desportiva e profissional) ao longo da minha carreira, mas, naturalmente, com muito sacrifício das diferentes esferas da minha vida pessoal. Como a falta de tempo é um dos principais limitadores das atividades diárias do atleta, a principal preocupação ao longo da minha carreira desportiva foi a de procurar otimizar o tempo ao longo do dia, procurando despender o menor número de horas em deslocações. Assim, em termos académicos escolhi a FML por me proporcionar o estádio universitário ao lado e quando entrei para o internato de Medicina Geral e Familiar escolhi o ACES LO por proporcionar uma acessibilidade rápida ao complexo desportivo do Jamor.

 
FORMAÇÃO CLÍNICA DAS CONCHAS - Para Si qual o papel que a Atividade Física e o Exercício Físico deveriam ter na vida das Pessoas?
DL - Quando terminei a pós-graduação em Medicina Desportiva, entrei no internato de MGF, especialidade com a particularidade de promover a saúde em contexto comunitário. Nessa altura, apercebi-me que faria mais sentido falar em Medicina do Exercício e penso que o conceito Exercise is Medicine sintetiza e elucida bem a importância do Exercício Físico (EF) na saúde e na doença.
 

FORMAÇÃO CLÍNICA DAS CONCHAS - Enquanto médico qual o papel que desempenha na promoção da Atividade Física?
DL - Para além da prática clínica da minha consulta, estou a desenvolver o projeto "Consulta de Promoção do Exercício Físico" aberto a todos os utentes do ACES estando previstas atividades individuais e de grupo. Esta será também aberta aos profissionais de saúde, procurando promover um conceito que é precisamente o mote das jornadas anuais da Clínica das Conchas "Médico Ativo, Paciente Ativo" (www.clinicadasconchas.pt/medicoativopacienteativo/).
 

FORMAÇÃO CLÍNICA DAS CONCHAS - Considera pertinente a crescente aproximação entre a Classe Profissional dos Médicos e dos Profissionais de Exercício e Saúde, como é já patente em eventos anuais como o “Médico Ativo-Paciente Ativo”?
DL - Sim, considero pertinente e imperativa! Há que trazer os profissionais do Exercício Físico para "dentro" do Sistema Nacional de Saúde, pois a maioria dos médicos não tem os conhecimentos para prescrever programas de exercício adaptados para maximização de resultados.
Quero com isto dizer, que qualquer médico está apto a aconselhar o seu utente a praticar exercício físico, nomeadamente as metas mínimas recomendadas pela OMS. Contudo, há muito mais exercício físico para além do "caminhar de forma vigorosa" e é neste patamar que penso que os Técnicos de Exercício Físico e Saúde terão o seu espaço de ação na promoção da saúde.
Dou como exemplo o Programa "Diabetes em Movimento" iniciativa de um colega meu de saúde pública, o Doutor Romeu Mendes, mas que conta nos seus recursos humanos com  Técnicos de Exercício e Saúde.
E note-se que hoje em dia, vários estudos têm vindo a trazer à luz que mais importante que o controlo metabólico é a "capacidade física" do doente, e que esta parece ser mais relevante na redução da mortalidade e morbilidade cardiovascular (bem como por todas as causas).
 

FORMAÇÃO CLÍNICA DAS CONCHAS - Quais são os seus projetos futuros? Que poderá partilhar connosco?
DL - Tenho uma visão comum à da Clinica das Conchas ao considerar que o exercício físico é fulcral na promoção da saúde e na reabilitação. A meu ver, creio fazer sentido que uma futura parceria poderá passar pela promoção da saúde/exercício físico adaptada ao utente, com 1) avaliação geral e dos riscos de lesão/efeitos adversos relacionada com fisionomia/fisiologia da pessoa e modalidade que pretende realizar, e depois propor a 2) implementação de um programa de treino com plano de prevenção de lesões/efeitos adversos.
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