A formação de “Exercício Clínico em Oncologia" irá ser lecionada por Sofia Jordão, Fisioterapeuta no Serviço de Medicina Física e de Reabilitação do Hospital da Ordem Terceira e docente convidada na Escola Superior de Saúde de Alcoitão e na Universidade Católica Portuguesa.

Ao longo da entrevista que nos concedeu explorou vários temas como a análise da prevalência das doenças oncológicas, apresentou-nos algumas recomendações relativamente ao exercício clínico em oncologia e apresentou-nos a sua visão no que concerne ao panorama de intervenção Nacional no que às doenças oncológicas diz respeito.

FORMAÇÃO CLÍNICA DAS CONCHAS - Que análise faz da prevalência das doenças oncológicas em Portugal?
SJ - O cancro é indubitavelmente um caso de saúde pública. E uma das principais causas de morte a nível mundial. Segundo dados da OMS, em 2015 morreram 9 milhões de pessoas com esta doença, estimando-se que esse valor suba para uns desconcertantes 11.4 milhões em 2030.
Portugal não é excepção. A doença oncológica é um fardo pesado para indivíduos, famílias e sociedades. 
Com a evolução dos meios de diagnóstico e tratamentos, há uma certa tendência para começar a encarar o cancro como uma doença crónica. No entanto, as cirurgias e os tratamentos envolvidos no controlo das doenças oncológicas são muito impactantes na qualidade de vida dos sobreviventes. Que sentido pode fazer uma vida sem qualidade? No meu entender é aqui que a fisioterapia e o exercício clínico podem ser uma mais-valia.
 
FORMAÇÃO CLÍNICA DAS CONCHAS - Relativamente ao exercício clínico em oncologia que recomendações nos poderá dar?
SJ - O tipo de cancro, os tratamentos a que se submeteu e o nível atlético do doente oncológico podem afectar a sua capacidade para o exercício físico. Quem prescreve o exercício deve ter conhecimento aprofundado da pessoa que tem diante de si, nomeadamente a nível do diagnóstico, cirurgia, tratamento, sintomas e efeitos secundários sofridos. Nestes doentes, os riscos mais específicos na realização de exercício físico são as fracturas e o linfedema. Todos os doentes oncológicos vão beneficiar com a prescrição correcta de exercício físico. O tipo de exercício em oncologia deve ser seguro e eficaz. Aqui entra a especificidade da prescrição de exercício clínico em Oncologia. 
 
FORMAÇÃO CLÍNICA DAS CONCHAS - Qual é a sua visão relativamente ao panorama de intervenção nacional no que às doenças oncológicas diz respeito? 
SJ - Há cada vez mais evidência científica de que o exercício traz muitos benefícios, quer nas pessoas saudáveis, quer nas pessoas que sofrem de alguma patologia. Os doentes oncológicos não são excepção e, neste momento, há muitos estudos que revelam que o exercício tem efeitos positivos em três componentes do cancro: prevenção, mortalidade e morbilidade.
Em Portugal ainda é preciso fazer um grande trabalho de divulgação no sentido de transmitir estes benefícios. É importante demonstrar aos órgãos de soberania da saúde que o exercício físico representa uma forma económica de melhorar não só sintomas como, potencialmente, resultados no controlo da doença oncológica.
 
Mais informações da formação aqui
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