Este estudo recentemente publicado sugere que a combinação entre a prática de exercício físico intenso e o treino cognitivo poderá com o tempo, ampliar os benefícios para o cérebro, mesmo para pessoas cujas capacidades cerebrais funcionem bem. 
 
 
 
São muitas as evidências que demonstram que os jogos cognitivos trazem melhorias na memória e raciocínio, no entanto, estes jogos apresentam efeitos benéficos apenas nas áreas específicas que um determinado jogo pretende estimular.  
 
As memórias apresentam várias tipologias, como as lembranças detalhadas de rostos de pessoas e objetos e de como esses diferem de rostos e objetos semelhantes, bem como memórias separadas sobre onde e quando vimos esses rostos e objetos pela última vez. 
 
Essas lembranças são criadas e armazenadas no hipocampo, estrutura localizada nos lobos temporais do cérebro humano e considerada a principal sede de memória. 
 
Estudos anteriores realizados com animais mostram que a prática de exercício físico promove a criação de células cerebrais novas (neurónios) no hipocampo, presumivelmente fornecendo as matérias-primas sobre as quais memórias novas podem ser escritas e permitindo melhorias em muitos outros tipos de memória após o exercício.
 
 
Os programas de treino cognitivo apresentam geralmente efeitos mais limitados.
 
Estudos realizados com pessoas sugerem que os treinos cognitivos melhoram apenas o tipo específico de memória e raciocínio que se pretende estimular. Por exemplo, as pessoas que praticam palavras cruzadas podem efetivamente melhorar a sua capacidade de completar palavras cruzadas, mas geralmente não melhoram a capacidade de se lembrar onde guardaram a sua carteira ou chaves de casa. 
 
Desta forma, os cientistas da Universidade McMaster em Hamilton, Ontário, questionaram-se se o treino cognitivo e a prática de exercício físico poderiam ser complementares, tendo como premissa a capacidade que a prática de exercício físico tem na criação de células cerebrais novas (neurónios), que por sua vez melhorariam a capacidade das pessoas ao nível do treino cognitivo.
 
Para descobrir, os pesquisadores decidiram estudar um grupo de estudantes universitários com o objetivo de ter uma amostra que se esperaria ter uma memória robusta e vigorosa. 
 
Os investigadores recrutaram 95 estudantes universitários que não tinham hábitos de prática de exercício físico. Foram realizadas análises ao sangue, analisada a aptidão aeróbia e feitos uma série de testes de memória antes de iniciarem o programa. 
 
De seguida, agruparam-nos aleatoriamente em três grupos: 
 
  • O 1º grupo foi convidado a continuar as suas vidas normalmente;
  • O 2º grupo iniciou um programa de prática de atividade física - três vezes por semana, 20 minutos de treino intervalado de alta intensidade de indoor cycle (Os pesquisadores escolheram o treino intervalado de alta intensidade por considerarem ser um tipo de treino com um "forte estímulo físico" que eleva rapidamente a aptidão física dos jovens estudantes, diz Jennifer Heisz, professora assistente da Universidade McMaster que liderou o estudo);
  • O 3º grupo realizou o mesmo programa de prática de atividade física, mas com a adição de 20 minutos de treino cognitivo computadorizado antes ou depois dos treinos (Este treino cognitivo consistiu em memorizar rostos que eram semelhantes uns aos outros e, em seguida, combinar as caras corretas que apareciam aleatoriamente no computador). 
 
Os três grupos deram sequência aos seus programas durante 6 semanas, e no final, repetiram os mesmos testes de aptidão aeróbia e memória que realizaram antes de iniciarem o programa. 
 
  
Os resultados
 
Em geral, os jovens que realizaram os programas de prática de exercício físico - 2º e 3º grupo - estavam fisicamente mais aptos do que o 1º grupo. Os jovens do 2º e 3º grupo melhoraram igualmente no teste de memória e essas melhorias abrangeram diferentes tipos de memória. Estas melhorias foram mais marcantes nos jovens universitários que melhoraram a sua aptidão física e simultaneamente cumpriram o treino cognitivo.
 
 
“A melhoria ao nível da aptidão física resultou em memórias mais fortes quando sujeitos simultaneamente a um treino cognitivo”, diz a Dra. Heisz, “mesmo para tipos de memória que não faziam parte do programa.”
 
 
Em todo o caso, estas melhorias não foram universais. Alguns jovens do 2º e 3º grupo que cumpriram o programa de prática de exercício físico e que tiveram, no final das 6 semanas, resultados fracos ao nível da aptidão física, tiveram também resultados fracos nos testes cognitivos. 
 
A Dra. Heisz e a sua equipa de investigadores suspeita que o treino intervalado de alta intensidade, foi provavelmente intenso de mais e pode ter despoletado quantidades grandes de hormonas do stress, o que afetou a forma como os seus corpos e cérebros responderam à atividade.
 
 
"É possível que eles possam desenvolver uma melhor resposta com exercícios diferentes e talvez mais moderados", refere Dra. Heisz.
 
 
Este grupo de investigadores perspetiva brevemente estudar os efeitos com programas de exercício físico com diferente volume e intensidade assim como com diferentes testes cognitivos e aplicá-los na população mais idosa. Pretendem também prolongar os programas para lá das 6 semanas no sentido de verificar se os benefícios para o cérebro apresentam resultados diferentes.  
 
Mas, por enquanto, as descobertas do estudo sugerem que complementar a prática de exercício físico  e jogos cognitivos pode dar um impulso maior às nossas memórias. 
 
 
Fonte: The New York Times

 

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