Exercício de extensão coxo-femoral em quadrupedia– bom ou mau?
Variadas vezes me questionam acerca de determinado exercício se o mesmo é bom ou mau! E, invariavelmente, a minha questão é “depende”!
Será necessário perceber-se quem é que o vai executar (nível de condição clínica e física), qual o objetivo a alcançar e como o consegue executar… Portanto, a resposta não pode ser única para toda e qualquer pessoa ou circunstância…
Relativamente ao exercício de extensão coxo-femoral há alguns itens a considerar:
1. Se o objetivo for o de otimizar a hipertrofia ou ganho de força do grande glúteo em população saudável treinada este exercício não é o melhor! Não conseguimos ter uma amplitude de movimento otimizada, nem se conseguirá aplicar uma sobrecarga tão intensa que possa despoletar um elevado stress tensional como se consegue, por exemplo, num exercício de agachamento ou leg press (Popov et al. 2006)! Portanto, por mais que se dê “coice” para trás ou para o lado a % de contração voluntária máxima nos vários músculos do membro inferior ficará sempre distante do máximo.
2. Se o objetivo for o de um exercício de baixa carga de compressão lombar, em que com a extensão da coxa conseguimos participação do grande glúteo e posteriores da coxa, e ainda conseguimos participação do grande dentado ipsilateral (até 44% CVM) e do trapézio médio e inferior contra-lateral, o exercício de extensão coxo-femoral poderá ser um bom exercício (Maenhout et al. 2010). A ativação dos músculos escapulo-torácicos deve-se à transmissão de forças para a escápula contra-lateral pela fáscia toraco-lombar (Meyers 2001; Porterfield 2004).
Também o facto de ser um exercício em cadeia cinética fechada pode ter uma repercussão positiva, por exemplo, no contributo para melhoria da estabilidade dinâmica do ombro por estimulação de mecanorecetores.
Em suma, se respeitarmos o princípio da progressividade e da individualidade, dependendo do objetivo a alcançar, o exercício de extensão coxo-femoral pode ser ou não um exercício adequado, a selecionar.
Bons treinos,
Rodrigo Ruivo
Doutorado em Motricidade Humana
Centro de Formação da Clínica das Conchas
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Maenhout, a et al. 2010. “Electromyographic Analysis of Knee Push up plus Variations: What Is the Influence of the Kinetic Chain on Scapular Muscle Activity?” British journal of sports medicine 44(14): 1010–15.
Meyers, T. 2001. Anatomy Trains. Myofascial Meridians for Manual an Movement Therapists. ed. Churchill Livingstone. Edinburgh.
Popov, D. et al. 2006. “Hormonal Adaptation Determines the Increase in Muscle Mass and Strength during Low-Intensity Strength Training without Relaxation.” Fiziol Cheloveka. 32(5): 121–27.
Porterfield JA, DeRosa C. 2004. Mechanical Shoulder Disorders. Perspectives in Functional Anatomy. ed. Elsevier Science. St Louis, Missouri, USA.