Dieta e exercício físico associados a menor risco de morte em pacientes com cancro do cólon
Bons hábitos alimentares e prática de exercício físico podem aumentar a taxa de sobrevivência nos pacientes já diagnosticados com cancro do cólon, de acordo com resultados de um estudo publicado na revista JAMA Oncology.
Pacientes com cancro do cólon - de estágio 3 - e com um estilo de vida alinhado com as diretrizes de dieta e prática de exercício físico da American Cancer Society (ACS), apresentaram um risco relativo de morte 42% menor quando comparados a pacientes com estilos de vida que não respeitavam as mesmas diretrizes, referiram Erin L. Van Blarigan, da University of California em São Francisco (EUA).
Os autores dizem também que o novo estudo permitirá aos médicos que davam conselhos vagos sobre dieta e exercício físico, passem a ser mais precisos e a recomendarem entre cinco a seis peças de fruta e vegetais por dia, além dos 150 minutos de exercício por semana.
Mesmo reconhecendo que poderá não ser fácil, os autores recomendam que os pacientes adotem as recomendações da ACS. “Não há razão para adiar, embora os pacientes possam não ter predisposição para fazê-lo se estiverem em tratamento”, referiu Erin.
Já existe muita vontade por parte dos pacientes em saber mais acerca desta tema, refere o autor do estudo, Dr. Jeffrey A. Meyerhardt, do Dana-Farber Cancer Institute em Boston, Massachusetts (EUA). “Esta é uma pergunta que ouvimos muito dos pacientes… O que devo comer? Devo fazer exercício físico?”
Mais detalhes sobre o estudo
Para comparar os resultados baseados nas escolhas de estilo de vida, os autores do estudo criaram uma escala, inspirados nas diretrizes da ACS, com base numa combinação de fatores:
- Índice de massa corporal (IMC);
- Atividade física;
- Consumo de vegetais, frutas, grãos integrais e carnes vermelhas e processadas.
Os resultados variaram entre 0 e 6, com os números mais altos a indicar comportamentos mais saudáveis.
Os autores verificaram que os pacientes com IMC de 25,0 a 29,9 tinham menor risco de morte do que pacientes com IMC de 30 ou mais.
O consumo de cinco a seis peças de fruta e vegetais por dia pareceu ser benéfico, mas as descobertas em relação às carnes vermelhas e processadas foram contrários ao esperado, referiram os autores. O baixo consumo de carnes vermelhas e processadas após cancro do cólon foi associado a um aumento no risco de morte.
“O maior consumo de proteínas pode ser benéfico para pacientes após cancro do cólon”, escreveram Erin. “Sendo assim, é possível que a carne vermelha seja inversamente associada à mortalidade no cancro do cólon, apesar de ser positivamente associada à incidência do mesmo.”
As limitações do estudo: Os autores não puderam concluir, por exemplo, se as associações são independentes do estilo de vida pré-diagnóstico do paciente, ou se modificar o comportamento após o diagnóstico de cancro pode levar a estes resultados. Os autores ressalvam também que a população do estudo era predominantemente caucasiana e desse modo não é representativa de todos os pacientes com cancro do cólon.
Este estudo foi patrocinado pelo National Cancer Institute. Os autores do estudo e os editorialistas não relatam conflitos de interesses relevantes.
JAMA Oncol. Publicado on-line em 12 de abril de 2018.
Fonte: Medscape
