Estiveram reunidos na 14ª edição do Congresso Nacional de Medicina Desportiva mais 30 palestrantes nacionais, aos quais se juntam cinco convidados internacionais, vindos do Brasil, Estados Unidos, Holanda e Inglaterra.
 
Apresentamos um dos trabalhos científicos apresentados durante o Congresso. 
 
 
Formação dos médicos do Sistema Nacional de Saúde português na área de atividade física e exercício físico
 
Introdução
 
A atividade física (AF) e o exercício físico (EF) têm demonstrado benefícios inequívocos na prevenção e tratamento de doenças crónicas e uma excelente relação custo-efetividade das suas intervenções de promoção, o que levou à criação de vários programas de promoção de AF que pretendem a sua implementação de forma efetiva, tal como é o caso do “Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física” apresentado pela DGS em 2016. Várias barreiras à generalização da promoção de AF e EF por médicos têm sido apontadas, salientando-se a escassa formação nesta área que é referida pelos próprios médicos e pelos estudantes de medicina.
 
 
Objetivos
 
Caracterizar a formação dos médicos do Sistema Nacional de Saúde português na área da AF e EF e avaliar a sua repercussão nas práticas de promoção e aconselhamento.
 
 
Métodos 
 
Análise transversal analítica dos dados de resposta ao formulário “Promoção da Atividade Física no Sistema Nacional de Saúde”, promovido pela DGS em articulação com os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, aos médicos utilizadores do software “Prescrição Eletrónica Médica” (PEM) no âmbito do estudo “Médicos Portugueses e Atividade Física” do Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física.
 
 
Resultados
 
Responderam ao formulário 967 médicos (idade média de 43,8 ± 13,25 anos; 58,3% do género feminino) utilizadores da PEM (3,2% do total a 31 de dezembro de 2017). A proporção de médicos com formação em AF e EF foi de 35,2%, com idade média de 40,3 ± 12,62 anos e 51,5% eram do género feminino; 49,1% tinham formação exclusivamente pósgraduada, 42,1% exclusivamente pré-graduada e 8,8% pré e pós-graduada. Do total de médicos, 82,4% referiram interesse em obter formação sobre AF e EF e 36,8% identificaram a falta de conhecimentos técnicos como uma das principais barreiras à promoção na prática clínica. Os níveis do grau de certeza sobre o conhecimento das atuais recomendações de AF e EF e do grau médio de confiança na promoção em situações específicas foram elevados (superiores nos médicos com formação (p<0,05), à exceção da promoção no adulto saudável (p=0,185)). 93,5% do total de médicos referiram promover AF na prática clínica e a regularidade foi elevada (superior nos médicos com formação (p<0,001)).
 
 
Conclusão
 
Apenas cerca de um terço dos médicos do Sistema Nacional de Saúde português possuem formação em AF e EF, o que denota a ausência de uma aposta forte na formação nesta área em medicina. O desejo de obter formação é muito elevado, o que, aliado ao impacte positivo da formação na promoção e aconselhamento, justifica a necessidade de serem melhoradas as ofertas formativas em AF e EF na medicina de forma a poderem ser melhoradas as intervenções de promoção.
 
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Pimenta-Ribeiro J, Mendes R, Silva CS, Silva MN, Pereira AM, Martins H, Brito J, Themudo-Barata J, Fontes-Ribeiro C, Teixeira P
 
- ARS Norte, ACES Douro I - Marão e Douro Norte, USF Corgo
- Faculdade de Medicina, Universidade de Coimbra
- Direção-Geral da Saúde
- ARS Norte, ACES Douro I - Marão e Douro Norte
- UTAD
- EPIUnit-ISPUP
- Universidade de Lisboa, FMH, CIPER
- Universidade Lusófona
- ARS Lisboa e Vale do Tejo, ACES Loures-Odivelas, USF Travessa da Saúde
- Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade da Beira Interior
- Federação Portuguesa de Futebol
- Centro Hospitalar Cova da Beira
 
 
 
 
 
 
 

 

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