Rácios de força muscular ideais. A força muscular é um parâmetro importante mas o equilíbrio de forças entre musculatura agonista e antagonista deverá sempre ser alvo de análise, uma vez que os desequilíbrios musculares poderão predispor a um maior risco de lesão músculo-esquelética.
 
 
Por esta razão, recomenda-se a existência de um balanço de força muscular entre grupos musculares de ações contrárias. Estes rácios de força, que podem ser calculados através de dinamómetros isocinéticos, variam em função da articulação e velocidade angular testada.
 
Baseado em testes isocinéticos realizados a uma velocidade angular de 30-60º/segundo, recomenda-se que para o joelho, na flexão/ extensão, a força concêntrica da musculatura posterior da coxa deve corresponder a 55-65% da força concêntrica da musculatura anterior da coxa (Aagaard et al., 1995; Ahmad et al., 2006). Este valor descreve-se como o rácio concêntrico entre os ísquio-femoro-peronio-tibiais e o quadricípite (IQ:Q) e é um parâmetro muito usado para descrever as propriedades das forças musculares que atuam na articulação do joelho (Osternig, 1986).
 
Massas musculares da parte da frente da perna muito volumosas e parte de trás muito pouco treinada poderão originar preocupante desequilíbrio muscular, e predispor os ísquio-femoro-peronio-tibiais e o ligamento cruzado anterior a maior risco de lesão.
 
Veja-se o estudo de Croisier, Ganteaume, Binet, Genty, & Ferret, (2008) que de 2000 a 2005, acompanharam 462 jogadores de futebol profissional brasileiros, belgas e franceses, procurando determinar se as variáveis da força avaliadas por teste isocinético na pré-temporada poderiam ser preditoras da subsequente lesão muscular, e se a normalização dos desequilíbrios de força, também verificados na pré-temporada, poderia reduzir a incidência de lesões.
 
A taxa de lesão muscular foi significativamente maior nos indivíduos que apresentaram desequilíbrios de força não tratada, em comparação com os jogadores sem nenhum desequilíbrio muscular IQ:Q verificado na pré-temporada, apresentando risco relativo de 4,7 vezes mais hipótese de lesão. Também os jogadores que normalizaram os parâmetros isocinéticos com ganhos de peak torque dos IQ reduziram o risco de lesão.
 
Num outro contexto de análise poder-se-ia também abordar a diferença bilateral de força entre músculos dos membros inferiores. Quando nos referimos a músculos contra-laterais, quadricípites direito e esquerdo, por exemplo, a sua diferença de força não deverá ser superior a 10-15%, sob pena de estarmos mais predispostos a uma lesão (Buchanan & Vardaxis, 2003).
 
Portanto, treine com força, e sem esquecer rácios de força muscular ideais (Ruivo, 2015; Heyward, 2010).
 
Rodrigo Ruivo
Clínica das Conchas
 
Heyward, V. (2010). Advanced Fitness Assessment and Exercise Prescription. (I. Champaign, Ed.) (Sixt Ed). Human Kinetics.
 
Ruivo R.M. (2015). Manual de Avaliação e Prescrição de Exercício. Editora Self. (1ºEdição). Carcavelos
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