Há alguns anos atrás, ouvi num evento, um formador dizer a seguinte frase: “treinar pelas guidelines é treinar para a mediania, e eu treino para ser o melhor”. E, na altura, a frase teve um impacto forte e deixou-me pensativo…
 
 
Hoje este tema continua atual. No âmbito do exercício físico, ainda se procuram muitas vezes as “receitas mágicas”, que parecem servir a toda a população, seja qual for a condição física, objetivo ou historial clínico e desportivo.
 
Não deixando de considerar que as guidelines podem ser um ponto de partida na prescrição de exercício, ou, um guião orientador que até poderá ter interesse quando intervimos com muitas pessoas ao mesmo tempo (ex: aula de grupo em pavilhão), sabemos atualmente que são, na maioria das vezes, insuficientes para se conseguirem otimizar os resultados obtidos com as pessoas!
 
Há diferentes variáveis sempre a considerar na prescrição de exercício que não poderão ser negligenciáveis e que se relacionam com os objetivos a alcançar e os princípios do treino, da individualidade, da progressividade, etc.
 
Devo saber se o nível de condição física Lhe permite um treino intervalado ao invés da tradicional caminhada em método contínuo, se a periodização de treino “pede” um treino de força com mais ou menos intensidade, se ao realizar o agachamento a pessoa tem um “valgo dinâmico” ou não, se devo selecionar um elástico ou um haltere em função da saúde articular da pessoa, etc etc.
 
Em suma, as guidelines terão a sua pertinência, mas não devemos esgotar toda o potencial do exercício físico e a Sua prescrição nas mesmas.
 
Procurem-se profissionais qualificados, com cédula profissional, que possam auxiliar na construção de planos de treino seguros e que consigam eficazmente manipular variáveis metodológicas e biomecânicas entre outras.
 
Abraço e bons treinos,
 
Rodrigo Ruivo
Clínica das Conchas
Doutorado em Motricidade Humana
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