
Eis uma dica para prevenir ou auxiliar na recuperação da dor no ombro!
O complexo articular do ombro é um dos meus principais fascínios em termos profissionais e académicos. Por isso, acompanho inúmeros casos de otimização do rendimento do ombro em não atletas e atletas de diferentes modalidades desportivas, muitas delas a exigirem repetidos gestos técnicos com o ombro acima dos 90º (exemplo, andebol, lançamento do dardo, voleibol, etc).
Quer como prevenção, ou como reabilitação em ação sinergística com os fisioterapeutas, existe um exercício específico de alongamento que geralmente prescrevo e com o qual tenho obtido ótimos resultados: o Sleeper Stretch. Com o paciente em decúbito lateral, ombro em abdução aproximada entre 70-90º e cotovelo fletido, realiza-se uma rotação interna do ombro, com ajuda da outra mão ou de uma outra pessoa.
O paciente deverá sentir um ligeiro desconforto na parte de trás do ombro e devemos garantir que, durante o exercício, o ombro não sobe quase até tocar no queixo e que não há movimento da escápula. O movimento deve ocorrer apenas na articulação gleno-umeral. A cabeça poderá repousar numa almofada para maior conforto.
Dever-se-á realizar este exercício diariamente, entre 3 a 6 séries de 30 segundos, com igual tempo de descanso entre séries (30 segundos) (Dimond et al, 2011). Para melhorar a efetividade do exercício aplico técnicas músculo-energéticas (contrai-relaxa) (Moore, 2011) e, no final, aproveitando a nova amplitude articular adquirida de forma aguda, solicito ao praticante a voluntariedade da contração muscular na ação da rotação interna. Espero através da voluntariedade da sua contração muscular melhorar a ligação músculo-cérebro.
O Sleeper Stretch vai permitir um alongamento das estruturas posteriores do ombro e poderá contribuir para um aumento do espaço subacromial (Cools, Johansson, & Borms, 2015) e para uma melhoria da amplitude de rotação interna, que tantas vezes está comprometida em atletas lançadores e de modalidades desportivas de dominantes gestos técnicos com ombro acima dos 90º (Laudner, Sipes, & Wilson, 2008).
Esta e outras dicas no curso de “Ombro: avaliação e prescrição de exercício clínico” nos dias 13 e 14 de Abril, em Lisboa, pelo Centro de Formação da Clínica das Conchas. Mais info nos comentários.
Abraço,
Rodrigo Ruivo
Autor do Manual de Avaliação e Prescrição de Exercício
Dimond, D, Donatelli, R., Morimatsu, K. (2011). The Bare minimum: Donatelli shoulder method assessment and treatment, 2nd edition, Charleston, USA
Cools, A. M., Johansson, F. R., & Borms, D. (2015). Prevention of shoulder injuries in overhead athletes : a science-based approach. Brazilian Journal of Physical Therapy, 19(5), 331–339.
Laudner, K. G., Sipes, R. C., & Wilson, J. T. (2008). The acute effects of sleeper stretches on shoulder range of motion. Journal of Athletic Training, 43(4), 359–363. https://doi.org/10.4085/1062-6050-43.4.359
Moore, S. D. (2011). The Immediate Effects of Muscle Energy Technique on Posterior Shoulder Tightness: A Randomized Controlled Trial. Journal of Orthopaedic@Sports Physical Therapy, 41(6), 400–407. https://doi.org/10.2519/jospt.2011.3292
Ps- Obviamente não podemos prescindir do princípio da individualidade e perceber a quem se poderá adequar o exposto no post em cima.
