Nutricionista da Federação Portuguesa de Futebol explica quais são os principais desafios que um nutricionista tem de enfrentar.
Rodrigo Abreu tornou-se recentemente formador na FORMAÇÃO Clínica das Conchas e irá lecionar o Curso Nutrição Avançada na Saúde e no Desporto.
Licenciado em Ciências da Nutrição pelo ISCSEM e atualmente a realizar Doutoramento em Nutrição Clínica na FCNAUP, o nutricionista Rodrigo Abreu acumula funções na Federação Portuguesa de Futebol, na CUF (Alvalade e Belém) e é sócio gerente do “Atelier de Nutrição”.
Foi um enorme prazer entrevistá-lo.
FORMAÇÃO Clínica das Conchas - Temos nos dias de hoje evidência científica que comprova a importância da alimentação na véspera e no dia da competição de um desportista. Também o praticante de exercício físico, que no seu dia-a-dia corre 10 km, joga futebol ou pratica natação, beneficia com um aconselhamento nutricional. Tendo em consideração a sua experiência e intervenção clínica, são grandes as diferenças de atuação entre atletas de competição e praticantes de exercício físico?
Rodrigo Abreu - Uma das noções que devemos ter sempre presente é a importância de personalizar as estratégias nutricionais em função do esforço (sejam treinos ou competições), mas acima de tudo em função do atleta. Para o mesmo esforço (por exemplo, fazer uma maratona), há estratégias que funcionarão bem com um atleta, mas que podem não ser bem toleradas por outro. Assim, o nutricionista tem de perceber bem os requisitos do esforço para poder depois aplicar da melhor forma um conjunto alargado de soluções alimentares e nutricionais que o atleta consiga adotar. Mais do que aplicar uma “dieta por modalidade”, o grande desafio hoje é personalizar a abordagem nutricional da forma mais eficaz e exequível para o atleta.
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FORMAÇÃO Clínica das Conchas - Considera que a população em geral encontra-se na atualidade mais sensível à importância que equilíbrio nutricional tem na prevenção de patologias?
Rodrigo Abreu - Sem dúvida. Nos últimos anos a exposição mediática que os temas da alimentação e nutrição têm tido (e continuarão a ter), fez com que as pessoas se tornassem mais sensíveis. O desafio que se coloca agora é conseguir que esta preocupação das pessoas com a nutrição se traduza em melhores comportamentos alimentares.
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FORMAÇÃO Clínica das Conchas - Ouvimos diversas vezes falar do conceito de “nutrimento”, uma mistura de nutrientes e sentimentos. Será este um dos grandes desafios do nutricionista? Ou seja, minimizar a dificuldade que o desportista e o praticante de exercício físico sente em respeitar um plano nutricional mais equilibrado ao longo da sua vida?
Rodrigo Abreu - Este é, claramente, um dos maiores desafios que o nutricionista tem, em particular aquele que trabalha com desportistas. Há modalidades com exigências nutricionais brutais e se não conseguirmos uma boa adesão do atleta às estratégias alimentares, vamos ter sub-rendimento, risco aumentado de lesões, menor longevidade da carreira desportiva, para não mencionar o mais importante que é termos pessoas bastante infelizes e frustradas com o desporto, quando deveria ser precisamente o oposto.
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FORMAÇÃO Clínica das Conchas - Que desafios e metas profissionais ainda espera cumprir até ao final do ano?
Rodrigo Abreu - Acima de tudo, nesta fase espero conseguir avançar mais no meu Doutoramento. Gosto bastante do trabalho que me propus desenvolver, mas os compromissos profissionais e familiares nem sempre permitem avançar ao ritmo desejado. Até ao fim deste ano espero ter um desenho experimental robusto, para em 2019 poder começar o trabalho prático!
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