Corres para treinar ou treinas para correr?

 

Sabe-se que a prática de exercício físico acarreta um infindável rol de benefícios para a condição física e para a Saúde das pessoas, estando associada a menores taxas de mortalidade.

 

 

Por ser de fácil acesso, e não só, milhões de pessoas praticam corrida em Todo o Mundo e a sua popularidade continua a aumentar. No entanto, alguns estudos têm reportado que a corrida pode causar lesões, sobretudo nos membros inferiores (Van Gent et al., 2007). Alguns dos potenciais factores de risco identificados para justificar as taxas de incidência de lesão apresentadas, com % acima dos 20%, são:

 

 

1. Inadequada gestão de volume de treino e frequência semanal de treino.

 

Por exemplo, correr todo um ano sem pausas ou oscilações de intensidade e volume é um factor de risco (Walter e col.,(1989)).

 

 

2. Questões anatómicas como um ângulo Q aumentado (Rauh e col. (2006))

 

 

3. Falta de força muscular e défice de controlo motor (Toresdahl et al., 2019)

 

 

 

No âmbito do último item refira-se que o treino de força é fulcral para a melhoria da performance do praticante e para a prevenção de lesões, porque permite:

 

 

1. Melhorar a eficiência neuro-muscular e a conversão de fibras tipo II X em fibras tipo II a, mais resistentes à fadiga (Rønnestad & Mujika, 2014)

 

 

2. Otimizar a economia de esforço durante a corrida

 

 

3. Melhorar a velocidade de corrida

 

 

4. Fortalecer tendões, ligamentos e os músculos estabilizadores do tronco e da coxo-femoral, com respeito pelos rácios de força muscular, permitindo a prevenção de lesões

 

 

 

Em suma, os corredores beneficiarão claramente, por um conjunto de vantangens já acima explanadas da incorporação da prática de sessões de TREINO DE FORÇA na Sua rotina de treinos.

 

 

 

Portanto, considerando a pergunta de partida, claramente devemos TREINAR PARA CORRER!

 

 

Abraço e bons treinos,

Rodrigo Ruivo

 

Rønnestad, B. R., & Mujika, I. (2014). Optimizing strength training for running and cycling endurance performance : A review. Scand J Med Sci Sports, 24, 603–612. https://doi.org/10.1111/sms.12104

Toresdahl, B. G., Mcelheny, K., Metzl, J., Ammerman, B., Chang, B., & Kinderknecht, J. (2019). A Randomized Study of a Strength Training Program to Prevent Injuries in Runners of the New York City Marathon. Sports Health, XX(X), 1–6. https://doi.org/10.1177/1941738119877180

Van Gent, R. N., Siem, D., Van Middelkoop, M., Van Os, A. G., Bierma-Zeinstra, S. M. A., & Koes, B. W. (2007). Incidence and determinants of lower extremity running injuries in long distance runners: A systematic review. British Journal of Sports Medicine, 41(8), 469–480. https://doi.org/10.1136/bjsm.2006.033548

 

 

 

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